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Mandacaru

Sinopse de Mandacaru

Por Enio Marcio do Valle Leite, em 10/01/2006
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Logotipo de 'Mandacaru' 1997/1998 término da abertura

A história de Mandacaru, inspirada no cangaço - marca de um dos períodos mais sangrentos e emocionantes da história do Brasil -, se passa na fictícia cidade de Jatobá no violento sertão de 1938, ano em que Lampião foi assassinado. A trama apresenta o universo nordestino sob a ótica dos cangaceiros e faz um resgate histórico da região quando a repressão do Estado Novo de Getúlio Vargas anunciava o fim do cangaço.

A escolha do nome - Mandacaru, planta que resiste às mais duras secas - já dá uma idéia da trama. O fogo cruzado entre os rebeldes e os volantes - como eram chamados os grupos policiais que perseguiam os cangaceiros - , ocorrerá paralelamente ao triângulo amoroso entre o perigoso Tirana(Victor Wagner), que luta para manter vivo o sonho do cangaço, Juliana (Carla Regina), a filha de Honorato ( Jonas Mello) importante coronel da região de Jatobá, e Aquiles (Murilo Rosa), um tenente disposto a tudo para acabar com o banditismo no interior do Nordeste. A mocinha será arrancada do altar pelo bandido durante seu casamento com Dr. Edgar ( Jandir Ferrari), o médico da cidade pelo qual ela nada sente. Seqüestrada, Juliana acaba se apaixonando pelo vilão.

Em Mandacaru, a figura rude do cangaceiro dá espaço também ao seu lado humano. Em meio a esse triângulo amoroso, Zebedeu (Benvindo Siqueira), ambicioso em tomar o poder, reúne o seu bando e ataca a cidade de Jatobá. O cangaceiro assume o poder da cidade e, acreditando ser um enviado de Dom Sebastião, graça concedida pela personagem de Elba Ramalho, instaura um poder monárquico na cidade se intitulando Imperador de Jatobá. A partir desse momento, em meio às maldades que manda seus capangas praticarem, é o centro de várias cenas hilárias na novela.

A trama mostra um universo diversificado: a questão da terra, a repressão policial, os coronéis que não queriam mudanças, o sertanejo sofrendo com a miséria e o banditismo tentando sobreviver. Além disso, Mandacaru é pontuada por superstições, sexo e misticismo. A novela também não desperdiça a oportunidade de explorar as crendices do folclore nordestino e fanatismo religioso, tão comum no Nordeste, que está representado em Mandacaru por dois personagens antagônicos: Frei Dodô (Guilherme Piva) é generoso e perambula pelo sertão atendendo às populações mais carentes; já o padre Waldeck ( Carlos Alberto) toma partido dos poderosos e ignora os humildes, preocupado unicamente com seu conforto pessoal.

Os coiteiros - informantes dos cangaceiros - estão incluídos na trama e são representados principalmente por Lustosa (Tião DAvilla) e Dinda (Teresa Sequerra). Aliás, Dinda também se encaixa na parte cômica da novela porque bate no marido, o bêbado Terto, vivido por José Dumont. Ao contrário do que se possa imaginar, o humor tem destaque na história e há um aspecto lúdico nos personagens.

Mesmo não sendo baseada em personagens reais, uma profunda pesquisa antropológica, social e cultural abrange a trama. E Mandacaru se torna reveladora ao mostrar a história de um Nordeste que muitos jamais conheceram.

Fonte: TV Bandeirantes

Por Enio Marcio do Valle Leite, em 10/01/2006

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