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Brida

Fracasso de Brida preocupa Rede Manchete

 Primeira cena de beijo entre Lorens(Leonardo Vieira) e Brida(Carolina Kasting), na novela da TV Manchete baseada no best-seller de Paulo Coelho.
Primeira cena de beijo entre Lorens(Leonardo Vieira) e Brida(Carolina Kasting), na novela da TV Manchete baseada no best-seller de Paulo Coelho.
Fracasso de "Brida" preocupa Rede Manchete

A história da Rede Manchete está intimamente ligada a seu departamento de teledramaturgia. Curiosamente, suas produções se caracterizam por atravessarem ciclos de sucessos e fracassos que sempre geram grande turbulência na emissora. A primeira produção da emissora, "A Marquesa de Santos", teve um relativo sucesso, sendo sucedida por uma série de minisseries que tiveram a função de proporcionar experiência à emissora na teledramaturgia. O primeiro grande sucesso veio com "Dona Beija" que apresentou as características típicas das novelas da Rede Manchete: erotismo e paisagens rurais. As novelas que se seguiram a "Dona Beija", todas urbanas e com temas policiais ou esotéricos, não obtiveram o mesmo sucesso e por pouco não determinaram o fim do departamento de dramaturgia. A recuperação veio com "Kananga do Japão" que foi sucedida pelo estrondoso sucesso de "Pantanal". Mas a crise começou a retornar com "Ana Raio & Zé Trovão" que gerou uma grave crise financeira na emissora, apesar de manter uma boa audiência. O resultado foi a demissão do diretor Jayme Monjardim. Com a superprodução "Amazônia" a emissora chegou ao fundo do poço levando o grupo Bloch a vender a emissora. Com a anulação da venda, a emissora voltou a investir em novelas, contratando desta vez o experiente diretor Walter Avancini que obteve sucesso com as novelas "Tocaia Grande" e "Xica da Silva". "Mandacaru" no entanto, assim como "Ana Raio & Zé Trovão", não atingiu o resultado esperado e sua sucessora, "Brida", é um completo fracasso. A nova novela da Manchete só tem conseguido 3 pontos de média de audiência, contra 9 de "Mandacaru". A direção da emissora que esperava no mínimo 6 pontos de audiência e o péssimo desempenho de "Brida" já ameaça o emprego de Walter Avancini. Diante da crítica situação, Avancini tenta desesperadamente salvar a novela, tendo na última semana trocado o autor Jayme Camargo por Sônia Mota, filha de Nelson Rodrigues, e Angélica Lopes, que trabalhou com o diretor na novela "Tocaia Grande". Ambas participaram da elaboração da sinopse de "Brida". Avancini espera com isto que a trama passe a ser mais focada no universo feminino, o que Jayme Camargo não tinha conseguindo. Deverá haver uma diminuição das cenas de sexo e novos personagens femininos deverão ser incluídos na trama. Tânia Alves, Rosane Gofman, Cristina Mullins, Bel e Ana Kutner e Fafy Siqueira são alguns dos nomes cogitados pelo diretor para fazerem parte da trama. O problema é que, a exemplo do que ocorreu durante a formação do elenco da novela, alguns atores temem pela situação financeira da Manchete que se encontra literalmente falida. Bel e Ana Kutner já recusaram o convite de Avancini. Com isto, o diretor também pretende usar alguns atores oriundos de "Mandacaru" enquanto que alguns personagens, como Fradique (Othon Bastos), poderão desaparecer da trama. Outra mudança foi o adiamento da entrada do personagem de Augusto Xavier, mago Mariano. Estas mudanças provavelmente não conseguiram atingir o objetivo declarado de Avancini de obter 12 pontos de audiência. A Manchete já fracassou anteriormente na produção de novelas com temas esotéricos e nenhum emissora, fora a Globo, obteve sucesso recentemente com novelas urbanas. Se Avancini não conseguir elevar os índices de "Brida", além dele poder perder o seu emprego, poderá causar um estrago na emissora tão grande quanto o produzido por "Amazônia". Caso isto ocorra, será difícil a emissora sobreviver a mais esta crise.
fonte: TV CRITICA em 27/08/1998
Por Ricardo Santos de Almeida, em 23/05/2006

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