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Zebedeu um vilão infantil?

Por Ricardo Santos de Almeida, em 05/06/2006
Benvindo Siqueira como
Benvindo Siqueira como 'Zebedeu' em Mandacaru (1997-1998).
Vilão infantil

ACM, Maluf ou Saddam Hussein? Seja qual for a inspiração, Benvindo Sequeira ganhou destaque como Zebedeu

Por: Cleide Cavalcante da Agência Estado

Benvindo Sequeira é mais uma prova do destaque que os vilões acabam conquistando nas novelas. Para quem até há algum tempo trabalhava num programa humorístico ("Escolinha do Professor Raymundo"), até que a atuação do ator como o Zebedeu, em "Mandacaru", foi uma boa surpresa. Bastou entrar na fase em que Zebedeu passa a ganhar mais poder para que o ator passasse a usar com sucesso a fórmula baseada na maldade e no humor. Nesta entrevista a Agência Estado, ele fala de seu personagem - "um garotão -, da repercussão entre os telespectadores e até cita alguns Zebedeus da vida real.


ENTREVISTA/ Benvindo Sequeira

É a primeira vez que você faz um vilão? E como está sendo a experiência?

Benvindo Sequeira - É. Olha, é muito divertido e fascinante. O Zebedeu é muito simpático, as criancas gostam, o público pede mais, as velhinhas dizem que ele é mau, mas que mesmo assim adoram. é um vilão malandro, meio infantil. Eu empresto minha leveza a este vilão, que não é um vilão pesado, que todo mundo tenha raiva.

E nas ruas, o que falam?

Sequeira - As pessoas me encontram e dizem: "Olha, o Zebedeu não pode morrer". Todos torcem por ele. O Zebedeu representa o novo.

Este é o tipo de vilão que dá mais certo?

Sequeira - Eu acho que um vilão tem de ser popular, leve e engraçado. Jamais desagradável.

Como você o define?

Sequeira - Ele não é nem louco, nem malvado. É um primata, age impulsivamente, pelo inconsciente. Por outro lado, ele é puro, e não tem pudores, é só desejo. Ele é como o homem das cavernas, anterior à psicopatia, à loucura. Se soltar o Zebedeu no centro da cidade, ele vai preso, vai começar a atirar e por aí... Ele faz o mundo que deseja, é o espelho do inconsciente da humanidade, é neste ponto que ele se torna criança.

E você acha que fazer um vilão caricato é mais fácil?

Sequeira -- Não. O vilão clichê, aquele mal-humorado, é mais fácil. Este vilão que interpreto sorri com os olhoo brilhando, e diz "vou te matar", e mata. É um personagem que passa pelo antigesto, pelo contra-ato. Fazer o vilão mau, de cara fechada, falando baixo e pausado, acredito ser mais fácil do que pegar todo o texto e transformá-lo em leveza. Dizer "eu te amo" enquanto odeia, permanentemente, em todas as gravações, é difícil. O Zebedeu corta orelhas sorrindo, acredita que é maravilhoso, mata todo mundo rindo, ri e faz. Ele faz tudo isso com alegria de viver. O mau e o bem é igual para ele, que acredita que a dor faz parte da alegria de viver. Para o Zebedeu, tudo é melhor do que estar morto.

Você se inspirou em alguém para compor o personagem?

Sequeira - Não especificamente. Tentei buscar algo no ACM, o lado engraçado, o desleixo, a "malvadeza", mas não deu para pegar nada. Não estou dizendo que ele é um Zebedeu, ele é brilhante, ele é o Brasil... Por outro lado, tem o Maluf... Enfim, olhei algumas pessoas, e só estou citando estes dois para brincar um pouco com a política

E como você vê o Zebedeu?

Sequeira - Acho que ele nasceu num grotão, como Macunaíma, em contato com a natureza. Portanto, a loucura dele não é nem fruto da sociedade. Existem duas abordagens diferentes, a do público e a minha, como ator. Assim, não posso dizer que ele está fazendo maldade, digo que ele está se divertindo, pois não tem limites.

Você poderia citar algum Zebedeu da vida real?

Sequeira - Olha, nunca parei para pensar nisso... Existem alguns carniceiros... Bom, o Saddam Hussein é o Zebedeu do Oriente, para nós ocidentais. Em contrapartida, até acho que o Sadann está sendo crucificado pelo Ocidente por não entenderem a cultura do Oriente. Por outro lado, ele diz que o demônio é o Bill Clinton. Na verdade, os dois têm muito de Zebedeu...

Fonte: AN Tevê
Por Ricardo Santos de Almeida, em 05/06/2006

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