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Jornal da Manchete

A trajetória de Eliakim Araújo na Manchete

Por Diogo Montano, em 18/07/2016
Eliakim Araújo - 1990
Eliakim Araújo - 1990

Em 21 de agosto de 1989, Leila Cordeiro e Eliakim Araújo (até então apresentadores do Jornal da Globo) foram contratados para ancorar o Jornal da Manchete, substituindo Ronaldo Rosas e Carlos Bianchinni. Depois de seis anos, era a hora de reformular o telejornal, mantendo a proposta de mostrar uma cobertura mais aprofundada dos fatos, mas buscando uma maior agilidade e uma linguagem mais acessível ao público. Com a liberdade prometida, e a missão de implantar um novo jeito de informar ao telespectador, rumaram à Rua do Rússel como estrelas de primeira grandeza.

Escalada da estreia de Eliakim Araujo no Jornal da Manchete, com nova abertura e pacote gráfico, um novo arranjo da canção “Videogame”, mas mantendo intacto o cenário dos monitores ao fundo, uma marca que a Manchete preservava desde a estreia:

Essa época de ouro da Manchete, caracterizada com novelas de sucesso e infantis vice-líderes, também se caracterizou por um show de jornalismo. A Rede Manchete, que até então se destacava nesse departamento, abriu ainda maior distância em relação à concorrência. O jornalismo era ousado, inovador e independente. Os repórteres chegavam antes e davam seguidos furos de reportagens. A inovação fazia escola na TV. A emissora chegou a ser publicamente elogiada por Boni, então vice-presidente de operações da TV Globo, pela entrevista exclusiva com Mikhail Gorbachev levada ao ar no JM. Nessa época, a Manchete já suspendia a programação para exibir initerruptamente qualquer acontecimento importante no país. O Jornal da Manchete era ágil, tinha correspondentes espalhados pelo mundo, e trazia a data e imagens do dia integradas à abertura. Leila e Eliakim se consagraram como o Casal 20 do telejornalismo.

Ainda em 1989, Eliakim comandaria a cobertura das eleições, a primeira com votação direta para presidente depois de 25 anos. Eliakim também representou a Manchete no debate presidencial entre Lula e Collor, exibido em pool por todas as emissoras de TV. Nos anos seguintes, Eliakim dividiria a cobertura dos desfiles das escolas de samba do grupo especial do Rio com Paulo Stein. Leila Cordeiro fez reportagens na Marquês de Sapucaí.

Abaixo os bastidores da cobertura:

Em 1991, o cenário dos monitores foi desativado, sendo substituído por uma tela azul no Jornal da Manchete. A nova abertura era inovadora, trazia as principais imagens do dia integradas à vinheta do jornal.

O cenário "azul chapado", no entanto, não durou muito tempo. Pedro Jack Kapeller, então vice-presidente da emissora, ordenou que o cenário do JM voltasse a ter ao fundo os tradicionais monitores. Com essa mudança, a abertura e o logo do jornal também mudaram.

Em 1992, a Manchete enfrentava sérias dificuldades financeiras e foi vendida para o grupo IBF. A emissora seria retomada pela família Bloch na justiça um ano depois, mas neste período, várias estrelas deixariam a emissora rumo ao SBT, como Otavio Mesquita, Angélica, e também o casal 20 do telejornalismo. Na emissora paulista, Leila e Eliakim apresentaram o “Aqui Agora inicialmente”, e depois assumiram o Jornal do SBT, que chegou a ter duas edições diárias: a primeira às 20h45, mesmo horário do Jornal da Manchete, e a segunda no fim de noite, após o programa de Jô Soares.

Em 2011, durante o encontro de ex-funcionários da emissora, Eliakim e Leila prestaram um depoimento sobre a experiência na TV Manchete. Confira:

Por Diogo Montano, em 18/07/2016

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