Rede Manchete

Trajetoria da Manchete

Rede Manchete, 35 anos

Por Diogo Montano, em 05/06/2018

Há 35 anos entrava no ar a Rede Manchete de Televisão, que viria a se transformar numa das principais redes de TV do país, ultrapassando a Rede Globo em audiência em vários momentos, com uma trajetória marcada por muitos sucessos e também por crises e polêmicas, que a levariam a um final melancólico dezesseis anos depois. A “Tv do ano 2000”, como anunciava seu slogan de estreia, sairia do ar ironicamente nove meses antes da virada do milênio.

A ESTRUTURAÇÃO DA REDE E O APOIO DA GLOBO

Dois anos antes da estreia, Adolpho Bloch ganhara do governo as concessões dos cinco canais (Rio, SP, BH, Fortaleza e Recife), numa concorrência que tinha grupos de peso como Jornal do Brasil e Abril. O outro beneficiado foi Silvio Santos, que com 4 emissoras, lançou o SBT em agosto daquele ano.

A família Bloch não queria lançar a emissora com uma estrutura precária. Por isso levou dois anos até equipar a rede e quase perdeu o prazo legal para colocar a emissora no ar. Para tanto, não Bloch poupou investimentos, importou equipamentos de última geração, enviou funcionários para estudar no exterior, e investiu forte em qualidade.

A proposta era ser uma emissora moderna, jovem, com um jornalismo forte (baseado na BCC de Londres e na recém inaugurada americana CNN), e com uma programação voltada para as classes A e B. Desta forma, buscava um posicionamento diferente das demais emissoras de TV da época. E ousado...

Durante este período, contou com o apoio da Rede Globo. Adoplho Bloch e Roberto Marinho eram amigos de longa data. O empresário pediu a Boni, então superintentendente da Globo, que ensinasse Pedro Jack Kapeller, sobrinho de Adopho Bloch, como funcionava uma emissora de TV, e acompanhou todo processo de estuturação da emissora. O acordo era que a Manchete não entrasse no campo do principal produto da Globo: a produção de novelas. Esta relação, no entanto, começaria a se estremecer já no ano seguinte.

A ESTREIA

Com cinco emissoras próprias, a rede de TV de um dos maiores conglomerados de comunicação do Brasil à época, no dia 5 de junho de 1983, às 19h de um domingo, entrava no ar a então tão esperada TV Manchete. A expectativa se dava por alguns motivos: a revista Manchete havia sido por décadas, a mais importante publicação do Brasil, e além disso a promessa do grupo era de lançar a mais moderna emissora de Televisão da América Latina.

Playlist: Inauguração da TV Manchete

Com uma vinheta futurista, o logotipo da emissora sobrevoava as capitais onde a rede possuía as emissoras próprias, e pousava como uma nave espacial no suntuoso prédio sede localizado na Praia do Flamengo, no Rio de Janeiro. Um espanto! Até então, não se tinha visto nada tecnologicamente tão avançado no Brasil. Com as imagens impressionantes, trilhas sonoras jovens (compostas pelo conjunto pop Roupa Nova), que marcariam a emissora durante toda sua trajetória. Já neste dia, a emissora desbancou o Fantástico, e ficou em primeiro lugar com o Show Mundo Mágico e a superprodução então inédita “Contatos Imediatos de Primeiro Grau”.

Playlist: Vinhetas da Manchete

Inicialmente a programação era composta por Jornalismo, Musicais, Filmes e Series de peso. Além de um programa infantil que inaugurava um formato que seria copiado por todas as emissoras de TV nos anos seguintes, comandado pela então modelo Xuxa Meneghel, o Clube da Criança.

Clube da Criança com Xuxa
Primeira abertura do Clube da Criança com Xuxa

O Jornal da Manchete tinha duas horas de duração. Com esse investimento em jornalismo, a emissora, ao longo de toda sua existência, inovou, e trouxe técnicas e linguagens que são até hoje copiadas pelas emissoras existentes. A presença de comentaristas, ter âncoras participando de diferentes cidades (SP e Brasília), interagindo via telão com o âncora do Rio de Janeiro, formas de narrativa, informalidade, mulheres na bancada, exibir o jornal ancorado a partir da cidade sede das Olimpíadas, são alguns dos exemplos. Além disso, o Jornal mostrava a redação ao fundo, já na década de 80. A canção Videogame, composta por Roupa Nova, ficou marcada na cabeça dos telespectadores, e foi lá que Leia Cordeiro e Eliakim Araújo se consolidaram como o Casal 20 do telejornalismo.

Playlist: Jornal da Manchete

CARNAVAL LÍDER

Em 1984 ocorreu o primeiro estranhamento na relação entre Globo e Manchete. A emissora dos Blochs ganhou de Leonel Brizola, então governador do Estado do Rio, a exclusividade na cobertura do carnaval carioca, bem no ano em que seria inaugurado o Sambódromo. A Rede Globo tentou de todas as formas procurar a Manchete para adquirir parte dos direitos, mas Adolpho Bloch fingiu que não ouviu, e como resultado, a Manchete foi líder absoluta durante a transmissão do evento. A resposta viria dez anos depois, quando, endividado, Adolpho Bloch procurou Marinho para pedir ajuda. Depois de deixar Bloch esperando por horas, Marinho abriu a porta da sala, ouviu o empresário, e apenas respondeu: “estou aguardando o retorno daquela minha ligação de 84 há dez anos”. Adolpho saiu cabisbaixo da sala sem falar nada.

Anúncio da Transmissão do Carnaval de 1084
Em 1984, a Manchete exibiu o Desfile das escolas de samba do Rio, com exclusividade, e liderou a audiência durante toda a transmissão.

Percebendo que os públicos A e B tinham coisas melhores a fazer do que assistir TV, a Manchete viu que precisaria popularizar a grade para atingir a classe C. Por isso, em 1985, lançou uma série de programas de auditório, humorísticos, e um feminino vespertino apresentado por Clodovil. Também entrou no campo da Dramaturgia, levando ao ar a minissérie “A Marquesa de Santos”, protagonizada por Maitê Proença. O resultado foi animador.

DONA BEIJA: A PRIMEIRA NOVELA

Em 1986, a Manchete lançou Dona Beija, com Maitê Proença, novela que fez tremendo sucesso e ficou em primeiro lugar de audiência algumas vezes. Neste ano, Xuxa foi contratada pela Globo, e a Manchete lançou um programa infantil com Lucinha Linns para ocupar seu lugar.

Playlist: Vídeos marcantes de Dona Beija

JASPION E ANGÉLICA: INFANTIS VICE-LÍDERES

Em 1987, José Wilker assume a direção de dramaturgia, e lança mais um horário de novelas. Wilker trouxe vários artistas da Globo, e conseguiu alguma repercussão com novelas como “Corpo Santo”, “Carmem”, “Olho por Olho”, etc.. Ainda neste ano, Angélica é descoberta e começa a aprsentar o programa matutino “A nave da fantasia”.

Em 1988, Angélica é promovida apresentadora do Clube da Criança, que volta ao ar no horário tradicional, das 17h às 19h, fazendo grande sucesso. A Manchete lança o seriado japonês Jaspion, que teve enorme sucesso, e incentivou o lançamento de vários outros seriados do gênero nos anos seguintes, como Changeman, Fhasman e Black RX. Esse estilo de programa marcaria a infância de muitos agora adultos. Por isso a Manchete é muito lembrada por quem, hoje, está na faixa dos 35 aos 45 anos.

Primeiro Clube da Criança com Angélica

A ERA DE OURO: MANCHETE VICE-LÍDER

Em 1989, Jayme Monjardim assume o núcleo de dramaturgia e produz outro grande sucesso: Kananga do Japão. Leila Cordeiro e Eliakim Araujo deixam a rede Globo e chegam para ancorar o Jornal da Manchete. A partir daí, a Manchete começaria a viver uma fase de ouro, que se estenderia até 1992.

Reportagem sobre Kananga do Japão

Em 21 de agosto de 1989, Leila Cordeiro e Eliakim Araújo (até então apresentadores do Jornal da Globo) foram contratados para ancorar o Jornal da Manchete, substituindo Ronaldo Rosas e Carlos Bianchinni. Depois de seis anos, era a hora de reformular o telejornal, mantendo a proposta de mostrar uma cobertura mais aprofundada dos fatos, mas buscando uma maior agilidade e uma linguagem mais acessível ao público. Com a liberdade prometida, e a missão de implantar um novo jeito de informar ao telespectador, rumaram à Rua do Rússel como estrelas de primeira grandeza.

Escalada do Jornal da Manchete, com Leila Cordeiro e Eliakim Araujo
Leila Cordeiro e Eliakim Araujo no comando do Jornal da Manchete, em 1989.

Essa época de ouro da Manchete, caracterizada com novelas de sucesso e infantis vice-líderes, também se caracterizou por um show de jornalismo. A Rede Manchete, que até então se destacava nesse departamento, abriu ainda maior distância em relação à concorrência. O jornalismo era ousado, inovador e independente. Os repórteres chegavam antes e davam seguidos furos de reportagens. A inovação fazia escola na TV. A emissora chegou a ser publicamente elogiada por Boni, então vice-presidente de operações da TV Globo, pela entrevista exclusiva com Mikhail Gorbachev levada ao ar no JM. Nessa época, a Manchete já suspendia a programação para exibir initerruptamente qualquer acontecimento importante no país. O Jornal da Manchete era ágil, tinha correspondentes espalhados pelo mundo, e trazia a data e imagens do dia integradas à abertura. Leila e Eliakim se consagraram como o Casal 20 do telejornalismo.

Em 1990, a emissora contrata Benedito Ruy Barbosa para escrever a novela que a Rede Globo não quis fazer: Pantanal. Jayme Monjardim criou uma narrativa totalmente diferente da usual, e o resultado foi um sucesso retumbante logo nas primeiras semanas da estreia.

A saga pantaneira
Benedito Ruy Barbosa tentara durante mais de uma vez produzir na TV Globo uma novela ambientada no Pantanal mato-grossense, que misturava personagens que remetiam à história de vida de seus antepassados. A líder, no entanto, considerava a novela muito cara, pela dificuldade logística, e não levou fé no potencial de audiência que ela representava, por ser diferente demais do formato até então praticado na TV.

Jayme Monjardim convidou então o autor a fazer sua novela na Manchete. Comprou a ideia e começou a produção, com um elenco composto por rostos conhecidos como Claudio Marzo, Nathalia Thimberg, Sergio Britto, Cassia Kiss, Jussara Freire e uma leva de novatos como Cristiana Oliveira, Marcos Palmeira, Marcos Winter, Carolina Ferraz e muitos outros.

O resultado foi um sucesso estrondoso, que mudou a linguagem dramaturgica da TV Brasileira e estremeceu a líder TV Globo.

Pantanal liderou a audiência no Rio em todos os capítulos, e chegou a abrir uma frente de 20 pontos (42 a 22) contra a Globo. Em São Paulo, Pantanal foi líder em quase 60% dos capítulos, e perdeu por muitos poucos pontos nos demais.

Playlist: Abertura e Chamadas de Pantanal

Este sucesso incetivaria a Mancehete a continuar com novelas que mostrassem as belezas naturais do Brasil, e no ano seguinte, estreou “A História de Ana Raio e Zé Trovão”. Com o slogan “o Brasil que o Brasil não conhece”, a trama mostrava a rotina de uma caravana de rodeios, e com isso a emissora percorreu mais de 14 mil quilômetros, mostrando cenários até então inéditos na TV. Neste período a Manchete adotou o slogan “O Brasil passa na Manchete”.

Minisséries como “O canto das Sereias”, “O Guarani”, “Filhos do Sol” e “Canto das Sereias” sucediam as novelas e garantiam o segundo lugar de audiência. Na colocação geral, a Manchete era a segunda emissora mais vista do Brasil, desbancando o SBT.

No jornalismo, o “Documento Especial” inovou em formato e linguagem. Angélica ganhou outro programa, aos sábados, o “Milk Shake”, musical, direcionado ao público Jovem.Um enorme sucesso.

Com base no Rio, a Manchete era um bom contraponto à TV Globo. Do ponto de vista do mercado de trabalho, funcionários passeavam entre as duas emissoras. Sem o engessamento de grade e sem a obrigação de ter uma postura politicamente correta como a TV Globo, na Manchete as pessoas poderiam ousar, inovar, e por isso foi um celeiro tanto de talentos como de experimentação, que na prática, beneficava a própria Globo. Se algo desse certo, a líder já trazia da Manchete. Por outro lado, se algo não desse certo na Globo, a Manchete trazia o profissional, e lá ele tentava coisas novas. A relação, portanto, mesmo que velada, acabava na prática beneficiando as empresas.

Em 1989, Boni, da Globo, enviou uma nota à imprensa parabenizando a Manchete por uma entrevista exclusiva com Michael Gorbachev, levada ao ar no Jornal da Manchete. Nas palavras, Boni destacava, além do belo trabalho, que aquele tipo de concorrência era um modelo que deveria ser multiplicado, por ser saudável e um grande aprendizado para todos.

CRISE: A VENDA PARA O GRUPO IBF

Ana Raio e Zé Trovão garantiu o segundo lugar, mas gastou muito. No ano anterior, a Manchete, mesmo endividada, havia construído uma nova sede em São Paulo, com o objetivo de ter uma base forte na cidade, e minimizar a imagem de ser uma emissora carioca. Com isso, a dívida da emissora aumentava ainda mais.

Playlist: A História de Ana Raio & Zé Trovão

Sem o retorno financeiro esperado com a novela, a Manchete tentaria emplacar um novo sucesso como Pantanal, e para isso, traçou o paralelo óbvio: lançou a novela Amanzônia, com um forte investimento financeiro.

Jayme Monjardim, no entanto, deixa a Manchete antes da estreia da nova novela. Com um custo elevado, a história não consegue emplacar, e a situação financeira da rede começa a ficar insustentável. Com uuam audiência medíocre, na casa dos dois pontos, a história foi reformulada com a troca de autores e, agora, com direção de Tizuka Yamazaki. Não adiantou. Poucos perceberam quando a trama chegou ao fim, e sem saída, Bloch decide vender a emissora para o Grupo IBF, cujo dono era ligado ao então Presidente da República, Fernando Collor de Mello.

Sem saída, Adolpho Bloch vende a Manchete em 1992, mas a retoma na justiça no ano seguinte.

Alegando que a situação financeira da emissora era pior do que fora divulgado durante as negociações de compra, o novo Grupo controlador deixou então de pagar a segunda parcela do acordo. Além disso, deixou de pagar salários, os funcionários entraram em greve, e Adolpho Bloch foi à justiça tentar reaver o controle da empresa. Em 1993, a Manchete voltava para as mãos da família Bloch.

Retomada da Rede Manchete pela Família Bloch, em 1983

Durante o período em que esteve nas mãos do Grupo IBF, vários artistas de peso saíram da Manchete: Leila Cordeiro, Eliakim Araujo, Otavio Mesquita e Angélica, foram para o SBT. Além disso, muitas emissoras afiliadas à rede passariam a transmitir a programção da Rede Record, que nesta época, estava em fase de expansão.

ARRUMANDO A CASA: DE VOLTA AOS BLOCHS

A Manchete estava sem seus principais nomes, sem novela em exibição, e passou os anos de 93 e 94 com uma grade deficiente, sem audiência.

Em 94 Bloch decide apostar em produções indepententes e eventos esportivos, como a Copa do Brasil e Fórmula Indy. Lançou novelas que foram mal em audiência, e só conseguiu algum destaque com o lançamento dos Cavaleiros do Zodíaco. A série, exibida pela manhã e à tarde conseguia médias de 14 pontos, e era segundo lugar em audiência. Estimulou a emissora a investir no filão, lançando várias outras séries do gênero nos anos seguintes.

NOVOS INVESTIMENTOS E RECUPERAÇÃO

Em 1995, a emissora começa a se reerguer. Lança a novela Tocaia Grande, baseada no romance de Jorge Amado, apostando que seria um grande sucesso. A novela decepciona no começo, a emissora resolve trocar a direção e o autor, e Walter Avancini assume a Direção de Dramaturgia, recheando a história de sensualidade, inclui novos personagens, e consegue alavancar a trama. Tocaia Grande chega ao fim quase um ano depois, com médias de 8 pontos e picos de 12.

Ainda em 95, a Manchete lança programas jornalísticos que teriam sucesso, como 24 Horas, Câmera Manchete e Marcia Peltier Pesquisa, todos compondo a linha de shows, sendo exibidos logo após Tocaia Grande. Os programas atingem o terceiro lugar em audiência. Ainda neste ano, Raul Gil traz seu programa para a Manchete, nas tardes de sábado, também garantndo o terceiro lugar.

Em 96, Marcos Hummel é chamado para estrear o “Na Rota do Crime”, primeiro reality show da TV, que acompanhava a rotina dos policiais de São Paulo. Exibido nas noites de sexta, o programa era segundo lugar isolado, e por muitas vezes chegava ao primeiro lugar. Hummel também estrearia o Manchee Verdade, jornal revista que era levado ao ar nos fins da noite. Esse sucessos levaram Hummel a dividir a bancada do Jornal da Manchete com Marcia Peltier. Ainda neste ano, Peltier é enviada para Atlanta de onde ancorou o JM durante as Olimpíadas, sendo a primeira emissora a ancorar um telejornal a partir da cidade sede de um grande evento.

XICA DA SILVA E UMA NOVA FASE DE SUCESSOS

O grande lançamento deste ano, no entanto, seria a novela Xica da Silva. Cercada de estratégias de marketing, Avancini lança a novela em setembro daquele ano, apostando alto na repercussão da trama. O resultado foi um enorme sucesso. Com médias de 14/16 pontos, e picos de 22, a novela ficou quase um ano no ar e garantiu o segundo lugar absoluto no horário, tendo chegado à liderança em várias oportunidades.

Sobre a história da escrava que se tornava amante do homem mais poderoso do país no século XVIII, a novela entrou no ar trazendo Adriane Galisteu no elenco, com cantores em papéis importantes (Eduardo Dusek, Leci Brandão), atores veteranos, e deu repercussão a uma safra de novos talentos, como Murilo Rosa, Carla Regina, Guilherme Piva, Dalton Vigh, Giovana Antonelli, e os protagonistas Victor Wagner, Taís Araujo. Veteranos como Zezé Mota, Fernando Eiras, Miriam Pires, Carlos Alberto, Sergio Viotti, e a antagonista da trama Drica Moraes, fechavam o elenco. Ciciollina foi chamada para uma participação especial, e um mistério rondava os bastidores da trama: o autor da trama, elogiado pela trama que escrevia, era totalmente desconhecido. Adamo Angel, no decorrer da trama, foi desmascarado. Tratava-se de Walcyr Carrasco, então contratado do SBT, que assinava na Manchete sua primeira novela solo, com enorme sucesso.

Playlist: Xica da Silva

Em agosto de 1997, Xica da Silva dava lugar a Mandacaru, baseada na história do Cangaço. Com um início não muito animador, a trama dá uma guinada com a ascenção de um personagem secundário à condição de protagonista. Assim, Benvindo Siqueira toma o lugar de Victor Wagner e Carla Regina, e seu personagem Zebedeu, se torna o mais importante da novela, transformando a história em comédia. A novela se recupera, não tendo o mesmo sucesso de Xica, mas garantindo média de 8 pontos. A novel ficou quase um ano no ar.

O FIM DA MANCHETE: CRISE DE 98 E O FRACASSO DE BRIDA

Nessa época, a dívida a Manchete levaria a emissora a investir cada vez mais em atrações de baixo custo e que trouxesse retorno financeiro. Em 97, a emissora lança atrações populares, como uma programação aos domingos com atrações de auditório e se apoiando nos serviços 0900, uma febre nessa época. Nasce uma parceria com o grupo TV ômega, especializado nestes serviços, arrendando a grade de domingo para a empresa de Amilcare Dallewwo. O “Domingo Milionário” consitia em atrações dursnte durante toda a tarde de domingo, sendo trocado posteriormente pelo “Domingo Total”. Otavio Mesquita, Virginia Novick, Marcelo Augusto e Thunderbird comandam atrações que atingiam o terceiro lugar em audiência. Mandacaru sai do ar e dá lugar a Brida.

O investimento em um grande sucesso literário de Paulo Coelho, no entanto, decepciona. A novela atinge apenas 2 pontos em audiência, e mais uma vez Walter Avancini faz mudanças estruturais na tama. Com um acordo de risco com os anunciantes, a novela, sem atingir os 5 pontos mínimos do acordo, aumenta mais ainda o rombo financeiro. Neste ano, o Jornal da Manchete volta ao modelo de ter três edições quase idênticas diárias. O objetivo seria se torna uma emissora referência em notícias, e se tudo desse certo, seriam lançadas novas edições pela manhã e fashes durante toda programação.

No entanto, com a flutuação cambial, as dívidas disparam. Uma greve de funcionários começa nos meados daquele ano. As produções param, nomes de peso como Raul Gil e Marcia Peltier e Otavio Mesquita, saem rumo a outras emissoras. A greve atinge a produção de Brida. Sem capítulos para levar ao ar, a emissora interrompe a exibição da novela e apenas três meses Em maio de 1999, a Manchete seria vendida, desta vez em definitivo, para o grupo TV Ômega.

A história da Manchete ano a ano
A história da Manchete foi paradoxal. Um local onde se tinha liberdade para realizar coisas inovadoras, mas também onde se passava por dificuldades diversas. Confira a história ano a ano, com os principais fatos, bons e ruins, dos seus 16 anos.
Livro "Rede Manchete - Aconteceu, Virou História"
Lançado em 2008, o livro do jornalista Elmo Francfort, conta com riqueza de detalhes a trajetória da Rede Manchete de Televisão.
Uma super leitura, vale a pena!. A versão digital, em pdf, está disponível gratuitamente para leitura. Aproveite!
Por Diogo Montano, em 05/06/2018

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